MINHA TRAJETÓRIA

Desde muito cedo, meu percurso foi marcado por uma escolha silenciosa: trocar conforto por aprendizado. Ainda no 9º ano do ensino fundamental, enquanto muitos viviam os finais de semana como pausa, eu os via como oportunidade. Minhas manhãs de sábado e períodos de férias foram dedicados a cursos de memória, capacidade de aprendizagem, além de game art e game development na Gracom School of visual effects na qual eu havia ganahdo bolsa de estudos que ainda contemplava os livros, esse contato precoce com lógica, criatividade e tecnologia não me disse exatamente onde aquilo me levaria, mas já intuía que pensar mais rápido, aprender melhor e criar coisas novas seria parte da caminhada.

No 1º ano do ensino médio, concluí meu curso de Inglês e fui aprovada na primeira tentativa no Michigan English Proficiency Test. Não se tratava apenas de um idioma, mas de abrir uma porta: a possibilidade real de dialogar com o mundo, acessar conhecimento global e sonhar para além das fronteiras que me cercavam.

Mas foi no 2º ano do ensino médio que algo fundamental mudou. Conquistei minha primeira medalha nacional em Astronomia e Astronáutica. A sensação não foi apenas de vitória, foi de descoberta. Descobri que eu pertencia ao ambiente científico, que minha curiosidade tinha lastro, e que esforço intelectual podia, sim, ser recompensado. Eu amei aquela sensação. E quis mais. Nesse mesmo período, movida por um senso crescente de responsabilidade coletiva, fundei com colegas o Projeto Social Alegrar, voltado a arrecadar materiais escolares para escolas públicas de educação infantil. Entendi ali que excelência e impacto não precisavam caminhar separados.

Então veio 2020. O mundo parou. A pandemia nos isolou. E eu, reclusa em casa durante o 3º ano do ensino médio, encontrei na solidão um espelho curioso da história. Pensei em Isaac Newton, afastado da sociedade durante a peste, produzindo alguns de seus trabalhos mais transformadores. Decidi que aquela pausa forçada não seria estagnação — seria construção. Impus a mim mesma uma missão: sair daquele período com algo que mudasse minha trajetória. Foi assim que conquistei minha primeira bolsa de estudos internacional, uma scholarship para um Summer School de Física na University of Cambridge. Essa conquista representou validação. Era a prova de que uma estudante vinda de um contexto nada favorável por ser distante dos grandes centros, podia ser vista, reconhecida e selecionada por uma das universidades mais prestigiadas do mundo.

Em 2021, eu já sabia onde queria chegar, ainda que não soubesse como. Meu objetivo era claro: conquistar uma bolsa para estudar fora do Brasil. O problema é que eu não tinha mapa, mentores próximos ou um caminho previamente traçado. Eu só tinha duas certezas: algumas conquistas relevantes no bolso e a intuição de que, para ir mais longe, aquilo ainda não bastava.

Foi então que tomei uma das decisões mais difíceis, e mais formativas, da minha vida. Mesmo com uma nota no ENEM que me colocava confortavelmente em praticamente qualquer curso, eu adiei minha entrada na universidade, contrariando a vontade dos meus pais, e escolhi o caminho menos convencional: o gap year. Não foi fuga, foi estratégia. Eu precisava de tempo para me preparar melhor.

Durante o gap year, a escrita ganhou centralidade. Produzi e refinei textos que me levaram ao GOI Peace Essay Competition, uma iniciativa internacional ligada à educação para a paz e ao pensamento crítico global. Paralelamente, enfrentei desafios de lógica e estratégia na Tiger Global Case Competition, uma competição de estudos de caso que simula problemas reais do mundo corporativo e financeiro, exigindo rapidez analítica e visão sistêmica.

Meu envolvimento com ciência não ficou restrito ao estudo solitário. Atuei como Mentora Olímpica no GEDUC, auxiliando estudantes em sua preparação para olimpíadas científicas, um papel que consolidou minha relação com ensino, liderança e formação de talentos. Ainda nesse período, me desafiei no Breakthrough Junior Challenge, o "Oscar da Ciência" uma competição científica global criada pela Breakthrough Prize Foundation, que incentiva jovens a explicar conceitos científicos complexos de forma criativa e acessível. Eu me desafiei a explicar o salto quântico em 3 minutos tendo apenas um jaleco, um sorvete (peça para assistir o vídeo que você vai entender) e alguns dias para aprender a editar vídeos.

Fui selecionada como bolsista da Global Citizen Year Academy, um programa internacional que forma jovens líderes com foco em impacto social, responsabilidade global e pensamento intercultural para a Filantropia. Logo após a bolsa para ser aluna de Melinda Gates veio o convite oficial da Hult International Business School para ser sua aluna. Opa! Eu tinha atingido exatamente o que buscava: uma oferta de bolsa da Hult International Business School. A Hult não é uma universidade tradicional, ela é uma business school global, com campi em cidades como Londres, Boston, Dubai e São Francisco, focada em formação prática de líderes globais, empreendedorismo e negócios internacionais. É seletiva, internacional e extremamente bem posicionada em rankings de empregabilidade e experiência global.

A bolsa era milionária. Mas não era integral.

O que isso significava, na prática, é que um ano inteiro de preparação parecia — à primeira vista — ter sido jogado fora. E é aqui que eu preciso parar a narrativa por um segundo.

Você não acreditou mesmo que eu ache que esforço pode ser desperdiçado, né?

Jamais. Cada aprendizado conta. Cada não ensina. Dói, mas ensina.

Então voltamos algumas casas no tabuleiro — mas com muito mais consciência do jogo. Voltei para o ENEM. E em 2022, fui aprovada em Engenharia Aeroespacial na Universidade de Brasília (UnB).

2022 foi o ano em que eu confirmei algo importante sobre mim: eu amava os cálculos orbitais, mas minha mente começava a orbitar problemas maiores. Enquanto mergulhava em dinâmica de voo, estruturas e sistemas aeroespaciais na Universidade de Brasília, fui, aos poucos, sendo puxada por outro campo gravitacional: o empreendedorismo.

Foi nesse contexto que nasceu a Rearth. Ela surgiu da interseção entre ciência, tecnologia e impacto socioambiental, uma tentativa concreta de responder a problemas complexos com soluções regenerativas. A ideia ganhou forma em competições de inovação como a Thrive and Shell Competition, amadureceu em ambientes colaborativos e rapidamente ultrapassou o estágio conceitual. Em pouco tempo, a Rearth avançou para o Hult Prize, a maior competição universitária de empreendedorismo social do mundo, frequentemente chamada de "Nobel Prize for Students", que desafia equipes globais a resolver problemas urgentes da humanidade.

Ali ficou claro para mim: eu não queria apenas entender o mundo, eu precisava interferir nele.

Mas trajetórias não são linhas retas. Em 2023, deixei Brasília. A vida impôs suas demandas sem pedir licença, e eu precisei reorganizar prioridades para algo essencial: sobreviver mas sem deixar de criar tração. Voltei ao Maranhão. Lembro de viajar ouvindo o verso "Vou ficar nessa cidade, não vou voltar pro sertão". E eu estava, ironicamente, fazendo o oposto. Voltei para o sertão. Então luta vem e luta vai. sobrevivi, e posso dizer que o fiz com certa maestria. Me tornei autora de proposta do MIT Solve 2023, uma iniciativa do MIT que seleciona soluções para desafios globais de alto impacto, a Rearth se consolidou entre pitchs para o Techstars e os infamous vídeo para o YCombinator, logo seguimos criando e juntando tração para quando eu voltasse ao ambiente universitário. E então voltei fazendo zuada.

2024 foi o oposto do silêncio. Foi o ano em que minha trajetória começou a ser reconhecida em múltiplos ecossistemas ao mesmo tempo: inovação, impacto social, venture capital, liderança e produção intelectual. No F6S, a Rearth figurou como top company global nas categorias agritech, startup e carbon capture — um reconhecimento que valida tração, não promessa. Em paralelo, mergulhei intensamente em liderança e formação institucional. Fui parte do Global Peace Chain, Cambridge, do Plural+, e do Social Shifters 2024. Espaços onde juventude, política global, impacto social e ação concreta se encontram. No campo acadêmico e intelectual, cursei Liderança e Gestão de Negócios pela University of Cambridge, participei do Oxford Professional Leadership Programme, e fui laureada co bolsa e vaga para o Global Business Symposium – Harvard, e aprofundei minha técnica com MIT Professional Education (No-Code AI). Mas 2024 também foi profundamente artístico. Fui selecionada no The Drawing Year, concorri a prêmios literários como The Moth Poetry Prize e QuietManDave Poetry Prize, consolidando minha escrita como espaço legítimo de pensamento. Nesse mesmo período, avancei com um ensaio que mais tarde me levaria ao Berggruen Essay Prize.

Então veio meu amado 2025, um ano de cura. Comecei o ano no Brazil at Silicon Valley (BSV 2025) pela Fundação Estudar, entendendo de perto como inovação, capital e velocidade funcionam quando não há medo de escalar, e esse medo eu nunca tive. No empreendedorismo, avancei com dois projetos centrais:

AIpply,

Gimie, (esse aqui ainda em desenvolvimento)

Também participei de desafios estratégicos como o Entrepreneurship World Cup, L'Oréal Brandstorm, Ashoka Power of Locals, e consolidei presença em ecossistemas de inovação aberta.

Em paralelo, assumi responsabilidades institucionais reais: fui selecionada como Campus Director do Hult Prize 2026 e recebi o reconhecimento como uma das 100 Melhores Jovens Universitárias do Brasil pelo Na Prática, um marco simbólico de uma trajetória nada linear.

No campo intelectual, meu ensaio avançou no Berggruen Essay Prize, conectando ciência, consciência e ética em um Think Tank mais que incrível. fechando um ciclo que começou lá atrás, quando pensar era apenas curiosidade e hoje se tornou compromisso.

TO BE CONTINUED…